Qui, 21 de Setembro, 2017
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A Psicoengenharia como Ferramenta Prevencionista Destaque

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- Indo além no Perfil Profissiográfico -

O engenheiro de segurança do trabalho Celso Luis de Oliveira aborda neste artigo a Psicoengeharia, ferramenta que auxilia na eliminação das origens dos riscos através da análise dos pontos variáveis da relação HOMEM x MÁQUINA x AMBIENTE DE TRABALHO. O Perfil Profissiográfico, utilizado como ferramenta da Psicoengenharia irá contribuir em muito para a melhoria do nível de conforto no ambiente de trabalho e para a minimização da ocorrência de doenças ocupacionais.

 As empresas, como produtoras de bens e serviços, são compostas de um conjunto de sistemas de produção que, independentemente do nível de complexidade ou da diversidade das operações que realizam, incluem 3 elementos essenciais: um subsistema mecânico, uma fonte de energia e um elemento de controle. Dentro dessa divisão, os seres humanos atuam no nível de controle. Dessa forma, homens e máquinas se entrelaçam intimamente no processo.

O trabalho da psicoengenharia é analisar e buscar o relacionamento otimizado dos sistemas de produção para permitir que os operadores humanos atuem com a máxima eficiência e o mínimo erro, estando inclusos, nesse termo, os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais. Em outras palavras, especificamente na Segurança do Trabalho, a psicoengenharia busca a eliminação das origens dos riscos através da análise dos pontos variáveis da relação HOMEM x MÁQUINA x AMBIENTE DE TRABALHO. E esses pontos variáveis são muitos.

Analisando essas variáveis, é facilmente notado que a utilização dos operadores humanos nos sistemas de produção é muito complicada devido às diferenças individuais, dado que a s pessoas diferem muito entre si, impedindo que sejam perfeitamente intercambiáveis como componentes do sistema. Verificamos que, em alguns casos, a relação HOMEM x MÁQUINA x AMBIENTE DE TRABALHO é completamente adequada e sem riscos para um determinado operador e, ao mesmo tempo, altamente prejudicial e com diversos riscos a um outro operador, precisamente pelas diferenças das características individuais.

A psicoengenharia tem a preocupação de inteirar-se sobre essas diferenças, que se dão nas capacidades sensoriais e motoras das pessoas e, também, de diferenças mais amplas em atitude, personalidade, motivação, moral, etc.. Devido a essas múltiplas diferenças é necessária, cada vez mais, a busca de ferramentas que possibilitem a pesquisa das características da cada indivíduo e a identificação dos meios para eliminação dos riscos de acidente no trabalho ou de doenças ocupacionais.

No desempenho de nossas atividades profissionais, percebemos ter nas mãos uma excelente ferramenta prevencionista, com um grande potencial para ser usada dentro da visão da psicoengenharia, o PERFIL PROFISSIOGRÁFICO.

O perfil profissiográfico é definido como “o documento, próprio da empresa, que deve conter o registro de todas as informações, de forma clara e precisa, sobre as atividades do trabalhador no desempenho de funções exercidas em condições especiais”. Ele pode servir de base ou fornecer informações para diversos fins, tais como: Laudo Ergonômico (NR 17), Laudo de Avaliação Ambiental (NR15), Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (NR 9), Avaliação dos EPI’s (NR 6), Solução de Problemas identificados no Mapa de Riscos (NR 5), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (NR 7), Recrutamento e Seleção, Levantamento de Necessidade de Treinamento, etc

O perfil profissiográfico, também, permite a investigação e o desenvolvimento de estudos cuidadosos para aumentar a quantidade de conhecimento sobre os sistemas HOMEM x MÁQUINA x AMBIENTE DE TRABALHO e suas interações, podendo, dessa forma oferecer princípios estabelecidos cientificamente que substituam as adivinhações, opiniões, conjecturas e intuições. Portanto, independente do que é exposto nas leis vigentes (O.S. 623/99 e O.S. Conjunta 98/99), estamos convictos que o perfil profissiográfico deve, por uma necessidade preventiva, ser elaborado para todos os trabalhadores, criando-se assim, um banco de dados que, obrigatoriamente, deve ser amplamente utilizado pelos profissionais responsáveis pela Segurança do Trabalho. Mas, para tal fim, o perfil profissiográfico deve sofrer uma pequena adaptação, devendo abordar aspectos mais amplos, ou seja, em sua elaboração devem ser abordados as seguintes forças e limitações relacionadas ao sistema HOMEM x MÁQUINA x AMBIENTE DE TRABALHO:

Dimensões Físicas:A capacidade do operador está limitada por suas próprias dimensões físicas, tais como estatura, peso, comprimento dos membros, força, resistência a tensão, etc.. Portanto, essas dimensões humanas devem ser consideradas em cada etapa da análise, para assegurar que os requisitos da operação do equipamento são compatíveis com as características físicas do operador.

Percepção de Informações:Por meio de seus sentidos um operador percebe as informações que o cerca. Devem ser estudadas as capacidades sensoriais para descobrir padrões de informação que tenham formato ótimo para ser facilmente percebidos pelo operador.

Processamento de Informações:A capacidade humana mais notável é a riqueza e a variedade de sua capacidade para processar informação. A flexibilidade do pensamento, sem exceção, também está acompanhada por um grande potencial de variação e erros, portanto, é necessário conhecer quais as possíveis origens de riscos de um sistema para que se combinem máquinas e homens de tal maneira que, reciprocamente, compensem suas falhas.

Atividade Motora:Através de ações motoras um operador manipula dispositivos para obter a operação adequada de um sistema. Deve-se analisar o projeto de máquinas e/ou dispositivos, de tal maneira que a rapidez, precisão, força e limitações de resistência das capacidades motoras do operador não sejam excedidas.

Capacidade de Aprendizagem:As capacidades humanas podem ser modificadas por meio de treinamento, portanto, é imperativo analisar as especificações de treinamento e que este seja providenciado de forma antecipada à operação.

Necessidades Físicas e Psicológicas:Além das evidentes necessidades físicas de alimentação, água e sono, os operadores devem ser protegidos dos efeitos debilitadores da fadiga e stress. As necessidades psicológicas são menos definidas, mas incluem fatores tais como necessidades sociais, de estima e de auto-realização, os quais deverão ser levados em conta na análise.

Meio Ambiente:O meio em que trabalha um operador pode afetar sua segurança, para melhor ou para pior, portanto, é necessário analisar a variação ambiental tolerável em fatores tais como: temperatura, umidade, ruído, aceleração, radiação, vibração, etc..

Versatilidade:O operador, raramente se encontra como elemento em um único sistema operacional, podendo atuar em diversos sistemas, simultânea ou alternativamente. Sendo assim, a análise deve determinar as condições que podem ser coordenadas por um só operador, sem sobrecarga e as condições em que são necessários controles de segurança ou a utilização de mais de um operador.

Diferenças Humanas:A troca de operadores nas funções é um fato observado freqüentemente, então é necessário analisar se o projeto do sistema permite tais trocas, garantindo a segurança dos operadores. Deve-se especificar as características necessárias, do operador, para a operação eficiente e essas especificações devem incorporar-se aos programas de seleção e treinamento.

Acreditamos que um Perfil Profissiográfico, utilizado como ferramenta da psicoengenharia, e não apenas para efeitos de “Previdência Social”, irá contribuir em muito para a melhoria do nível de conforto no ambiente de trabalho e para a minimização da ocorrência de doenças ocupacionais.

 

Ler 433903 vezes Última modificação em Qui, 17 Janeiro 2013 09:36
Celso Luis de Oliveira

Engenheiro elétrico e de segurança do trabalho

Website.: www.laborclin.med.br